quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Alopécia androgenética: O que é?

A alopécia androgenética é, provavelmente, a forma mais comum de perda de cabelo em pacientes do sexo masculino. Apesar de também atingir mulheres de uma forma menos característica, a prevalência no sexo feminino é menor, e o diagnóstico, mais difícil.



Mas afinal o que é a alopécia androgenética?



Em algumas partes do corpo (nos homens: a próstata, testículos, glândulas supra-renais e folículos capilares; nas mulheres: as glândulas supra-renais e folículos capilares), uma enzima chamada 5α-redutase transforma a testosterona numa versão bem mais forte: o hormona di-hidrotestosterona (DHT).

No couro cabeludo, o DHT provoca a miniaturização folicular: no ciclo de vida do cabelo, em cada ciclo que se inicia os folículos capilares vão diminuindo de tamanho, tornando o fio de cabelo cada vez mais fino. A fase de crescimento do cabelo (anagénica) fica cada vez mais curta, as fases de descanso (catagénica e telogénica) prolongam-se. Uma vez que a duração da fase anágenica é o que influencia o comprimento do cabelo, o comprimento máximo do novo pelo em fase anágenica é menor do que o pela anterior. Eventualmente, a fase anágenica é tão curta que o pelo acaba por nem alcançar a superfície da pele, e o único sinal da presença do folículo é um poro e os fios podendo parar de nascer por completo.

Explicação mais pormenorizada:

Os dois androgénios predominantes naturais são a testosterona e a Di-Hidrotestosterona (DHT).
A testosterona é convertida em DHT pela enzima 5α-redutase, que é composta por duas isoenzimas: tipo I e tipo II, ambas encontradas no couro cabeludo.
A ação biológica da DHT nos receptores andrógenos é mais potente que a da testosterona. O receptor de androgénio é necessário para o desenvolvimento de caracteres masculinos e, durante a vida adulta, age no funcionamento de órgãos como o sistema reprodutor, testículos, músculos, fígado, pele, sistema nervoso e sistema imune.
O receptor de andrógeno tem um papel em várias doenças e traços hereditários, incluindo câncer de próstata.
O envolvimento dos andrógenos na alopécia androgenética é evidente:

  • Eunucos, sem androgénios, não desenvolvem alopecia androgenética, e indivíduos sem receptor de androgénio desenvolvem-se como mulheres, sem apresentar alopecia.
  • De maneira similar, nenhuma alopecia é vista no pseudo-hermafroditismo com ausência da 5α-redutase.
Outro achado importante é o aumento da concentração de DHT, 5α-redutase e receptor de andrógeno nas áreas do couro cabeludo com alopécia androgenética masculina. O mecanismo exato por meio do qual o androgénio age parece estar relacionado à expressão dos genes que controlam os ciclos foliculares.

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